20/06/2017

Novamente de luto: Pedrógão Grande*

Sábado fui com as minhas amigas comer um gelado e acabamos a caminhar junto ao rio. O céu começou a ficar escuro, apesar de estar muito abafado. Começou a chuviscar e vimos as trovoadas secas. Comentamos como andamos a ficar com clima tropical, que a mãe natureza impõe muito respeito. Apreciamos o cenário longe de imaginar a tragédia que se iria abater.

Domingo o meu filho queimou-se numa mão, ficou com bolhas de água nos dedos. Doeu-lhe a ele, doeu-nos a nós. Sabemos o que custa uma queimadura, mas estamos longe de imaginar o que é morrer carbonizados.

Tudo me lembra este trágico acidente da natureza que tirou vidas de forma tão horrível e cruel. É uma dor que não se imagina. A alegria e a esperança de muitas famílias arderam nesse incêndio. Casas e vidas (algumas tão precoces) esfumaram-se. Essas vidas não me são nada mas tocaram-me profundamente. A mim e, acredito, a todos os portugueses. É impossível não ficarmos chocados e sensibilizados com aquele cenário de terror, de não nos unirmos nesta hora de dor. Os portugueses podem ter muitos defeitos mas temos uma enorme qualidade: somos solidários.


É impossível tecer grandes comentários sobre esta situação que nos deixou a todos de coração partido, até porque não há palavras que atenuem a dor, resta-nos apenas agradecer a todos os envolvidos nesta luta contra o incendio (principalmente aos bombeiros,) e a todos aqueles que tentam tapar um pouco o buraco deixado na vida dos sobreviventes. Muita força.

*Fugi um pouco ao registo deste blogue mas não deu para ficar indiferente.