18/03/2016

Mãe a tempo inteiro


Todos me dizem para aproveitar bem estes primeiros tempos porque é uma fase muito especial e eles crescem num instante. E é isto que eu quero fazer, quero estar presente 24h por dia, ver as primeiras experiências e gracinhas, ter tempo para ele, não viver preocupada se dormi mal porque amanhã tenho de trabalhar e ser produtiva, de viver com saudades do seu cheiro e com medo de perder algo importante. Quero estar lá todos os dias, a toda a hora.

Esta opção já estava tomada quando decidimos engravidar, passei uma gravidez tranquila graças a isso e o seu nascimento antecipado só veio reforçar a nossa opção - o melhor para ele era ficar comigo em casa, sendo prematuro as suas defesas são mais fracas e, por isso, não era boa ideia pô-lo numa creche. Sempre que vou a uma consulta perguntam-me se ele já anda numa creche, respondem-me sempre "boa, faz bem em ficar com ele em casa". Nem quero imaginar se tivesse de voltar agora ao trabalho, acho muito cedo, ele é tão pequeno, só de pensar dá-me um aperto no coração. Todas as mães deviam ter a opção de ficar em casa até pelo menos um ano!

Sinto-me uma sortuda por poder estar com ele a tempo inteiro, algumas pessoas apoiam mas outras não entendem esta opção, ainda para mais quando temos um curso superior! Cheguei a trabalhar na área e sempre fiz aquilo que gostava, sempre trabalhei em part-time, em casa, e os meus horários sempre foram flexíveis, uma maravilha! Mesmo assim, com todas estas vantagens, sentia que não era a mesma coisa, que iria viver sempre preocupada em apresentar trabalho e eu só queria que a minha única preocupação fosse o meu filho, estar lá a 100% para ele. Ele é o meu único trabalho, o mais cansativo mas também o mais gratificante, o que me preenche e deixa realizada. Ser, por enquanto, "apenas" a sua mãe basta-me. Não me sinto menos que ninguém por não ter, presentemente, nenhuma profissão, tal como não me sinto melhor mãe só porque estou com ele a tempo inteiro. Sinto-me apenas feliz com a vida que escolhi.

Não serei mãe a tempo inteiro para o resto da vida, até porque eles crescem e querem que a mãe pare de ser chata, mas presentemente sei que esta foi a (nossa) melhor escolha.

[E, felizmente, tenho um marido que sabe dar-me valor, que não julga que passo o dia inteiro em casa a ver filmes e a comer pipocas. Obrigada por tudo]

(Imagem 1)

6 comentários:

Camille disse...

O importante de tudo é que te sintas realizada e feliz. O resto é, como costumo dizer, "peanuts". Ninguém tem que meter o nariz na tua / vossa decisão. Só a ti diz respeito... E se o teu marido te apoia, é perfeito. O teu filho vai agradecer esse tempo que passaste com ele... e tu também! :)

Beijinhos

Maria do Mundo disse...

O importante é que estejam felizes!

A Pimenta* disse...

Eu percebo o que dizes. Falando por mim,sei que foi um grande erro ter ido trabalhar quando a minha filha tinha apenas 2 meses e meio. Se fosse hoje, tinha batido o pé. O problema é que a precariedade do meu posto de trabalho assim obrigou. E trabalhei praticamente até à espera do nascimento da minha filha.
Ser-se mãe e trabalhadora hoje em dia não é de todo fácil, sobretudo em locais que não respeitam o "ser mãe". Trabalho quase 11 horas por dia, há sábados que tenho de ir trabalhar e a remuneração mensal não é de todo compatível com tantas horas de trabalho a um ritmo alucinante (há dias em que tenho de almoçar em 10 minutos).
Não tenho a menor dúvida de que se pudesse escolher e se em termos financeiros houvesse mais facilidades, ficaria em casa com a minha filha a vê-la crescer.

Nádia disse...

Também me faz imensa confusão deixar um bebé pequenino numa creche, deve ser de partir o coração. Mas na mesma situação acho preferia que fosse o pai a ficar em casa com o bebé - afinal, eu já o teria carregado durante nove meses :P

Moa disse...

Felizmente, só tive de a deixar na creche aos dois anos. Deve ser tão difícil deixá-los lá tão pequeninos...

Lovely disse...

Concordo com tudo o que disse. Eu tive a sorte de ficar a gravidez em casa e adorei, curti cada momento. Pude também ficar até fazer um ano e adorei e adoro todos os momentos. É tão bom vê-los crescer. Desfrutar é o segredo.