30/11/2015

#5 Mês da Prematuridade

- A dor. O medo -

Deixei para último o que marcou-me mais durante o internamento do meu filho: o vir para casa sem ele. Não há dor maior que deixar um filho internado, ficar longe dele sem saber se passará bem a noite, ter tudo montado à sua espera e ele não poder vir e nem saber quando virá. 
A experiência da prematuridade mexe muito com o estado emocional de uma pessoa. Falo por mim. Nos dias em que ele andou com diarreia eu já andava a bater com a cabeça nas paredes só de pensar que poderia ser novamente internado. É ter o coração nas mãos sobre o seu crescimento, se crescerá bem como um bebé de termo. É sofrer em silêncio porque mais ninguém parece entender os teus medos. É não deixar-me de sentir culpada pela sua prematuridade mesmo sabendo que a culpa não foi minha. Alias, ninguém sabe-me dizer o porquê! Não ter respostas custa. É ter medo que isso volte acontecer numa futura gravidez. É querer não pensar muito nesses momentos e não conseguir. Já sei o que é sair literalmente de mãos a abanar numa situação. E senti pela primeira vez aquela sensação de vazio sempre que saía daquela Maternidade.
Eu não falo sobre isto, não quero preocupar quem se preocupa comigo, nem me deixei ir abaixo à frente de quem amo, mas precisava de exteriorizar tudo aquilo que tenho guardado cá dentro. (Mas para quem me conhece bem, talvez o facto de não me deixar ir abaixo à frente de ninguém seja motivo de grande preocupação!)

3 comentários:

Gorduchita disse...

Sair daquele hospital, mais de 100 dias, sem levar a minha pequenina comigo foi certamente das coisas que mais me custou também.
A expectativa de saber como tinha corrido a noite, se haveria novidades menos boas quando lá regressasse.
Não há como explicar esta ansiedade, esta dor.

Quem não viveu situações destas, não sabe o que é. Pensa que é apenas uma questão de paciência, de esperar que o bebé cresça, mas é muito, muito mais que isso!

Mas não guardes isso para ti! É um erro que cometemos, mas que devemos evitar! Ao partilhar, acabamos muitas vezes por descobrir que do outro lado se vive algo semelhante, ou pelo menos, há muito mais empatia do que achavamos que houvesse!

Tudo de bom! :*

Maria do Mundo disse...

Qualquer palavra que eu diga aqui me parece inútil, porque tiver dois partos de termo. Apesar de viver de perto a prematuridade do filho de uma amiga, sem dúvida, que não sei o quão doloroso deve ser, porque ele não é meu filho. Fica aqui o meu beijinho de apoio mães guerreiras de bebés guerreiros.

Camille disse...

Nem sempre podemos guardar tudo para nós. Às vezes desabafar faz bem!
Se precisares, estou à distância de um e-mail... ;) E depois podes sempre ir partilhando os teus sentimentos por aqui pois haverá sempre alguém que passou pelo mesmo com uma palavra de apoio para ti. Muitas vezes, conhecer alguém com uma história semelhante faz-nos bem.

Beijinhos