03/11/2015

#1 - Mês da Prematuridade


- Resumo -

Podemos planear uma gravidez. Podemos preparar o enxoval para a sua chegada. Podemos idealizar o dia do parto e um futuro a três. Podemos. Mas ninguém prevê e prepara-se para a chegada antecipada de um filho. Nós não. Com uma gravidez feliz e bem vigiada, nunca imaginei que esse momento de felicidade rapidamente se transformasse na situação mais stressante das nossas vidas. Não estava preparada para o que vinha aí, nem estava minimamente informada sobre os riscos da prematuridade.
O que eu sabia sobre isso? Sabia que eram bebés que nasciam antes do tempo, mais pequenos e que passavam algum tempo numa incubadora. Fim. Se o meu internamento já indicava que as coisas poderiam estar melhores para o meu lado, ter de levar quatro injecções para a aceleração da maturação pulmonar do bebé só indicava que a situação poderia ser muito frágil e que, provavelmente, existiriam outras complicações que eu desconhecia.
Fiquei internada no Hospital da minha área de residência que não tinha condições para acolher prematuros, quando entrei em trabalho de parto fui transferida para outro sítio sob o risco de ficar separada do meu filho e poder ocorrer o pior com a falta de meios para o assistir nos primeiros minutos de vida. Como o bebé precisa de ser logo assistido, o parto, mesmo que normal, decorre na sala de operações e o pai não pode assistir. Choque! Também foi um choque saber que não poderia dar de mamar porque os bebés antes das 34 semanas não têm capacidade de sucção e deglutição. Por isso, os bebés não têm alta antes dessa meta porque são alimentados por sonda. E custa vê-los cheios de fios, monitorizados, dentro da incubadora, mesmo que seja apenas por precaução.
Apesar do internamento, eu passei os últimos dias de gravidez relativamente calma. Talvez pela minha ignorância sobre as possíveis complicações, talvez sobre o pressentimento que estava tudo bem com ele. Mas ainda bem que não pensei no pior porque ajudou-me na hora do parto. Era algo que temia e foi o que correu melhor no meio disto tudo! E confirmou-se, estava tudo bem com ele. Enquanto acabavam o ponto de cruz lá em baixo, o meu sentido estava na sala ao lado onde ele estava a ser assistido e só ouvia que ele estava muito bem para um prematuro de 32 semanas. E como estava tudo ok, levaram-no para o pé de mim para lhe dar um beijinho antes de partir para os Cuidados Intermédios onde esteve apenas 4 dias numa incubadora a fazer fototerapia (problema normal mesmo nos bebés de termo) e passou logo para o berçário onde permaneceu mais 16 dias para aprender a comer por ele mesmo. Esteve internado 20 dias.
Vivo muito mais stressada agora, mesmo que tudo tenha corrido bem, que na altura. Agora tenho a consciência de tudo aquilo que poderia ter corrido mal. Agora vejo casos bem complicados e choro. Choro por aqueles pais. Sei o que é viver na incerteza se tudo terminará bem, com a dor da distância. Só de recordar dói. E choro pela sorte que nós tivemos. Abraço-o e agradeço que tudo tenha corrido bem.

2 comentários:

SuperSónica disse...

Fico feliz por ter "terminado" bem. Lá está só quem passa por isso é que sabe. Eu não fazia ideia disso tudo porque o meu nasceu de 41 semanas.
Agora é a aproveitar ao máximo esse bebé!!!

Rabiscos de Amor disse...

Também não consigo ficar indiferente quando ouço a palavra "prematuro". Também vivia muito aflita no inicio, o tempo passa, ganhamos mais confiança e o medo começa a diminuir :)