30/11/2015

Promoções que podem sair caras!

Na "onda" do Black Friday, este fim-de-semana aproveitamos alguns descontos (tímidos) para comprar algumas coisas para o pequeno. Compramos este berço de viagem, gostei do modelo jungle com muda-fraldas. Será útil para deixarmos o bebé durante algumas horas na minha mãe, caso seja necessário, e ideal para as férias.
Compramos este berço de viagem na Toys-r-us. Eu já não tinha uma boa opinião na altura em que andei a ver berços porque queriam-me impingir o berço de exposição (o único modelo em loja) sem desconto como tal e sem caixa ou outro tipo de protecção para o transportarmos. É claro que uma pessoa vai pagar o mesmo por um artigo que está às mãos de todos e que corre o risco de ficar ainda mais lixado no caminho para casa sem protecção, não vêem que sim! 
Desta vez andávamos a ver estes berços e disseram-nos para levar o papel da referência do artigo à caixa. Uma pessoa pensa que o artigo já lá está! Entregamos o papel com a referência, as lojistas passam e apresentam-nos com a máquina do multibanco. Uma pessoa vai a pagar quando se lembra de perguntar pelo artigo. Não sabem dele, nem se existe em armazém! Uma pessoa pensa: "estão a gozar". Perguntamos se pagássemos já e se depois não existisse o artigo, como devolviam o dinheiro. Respondem: "em talão". Uma pessoa pensa: "agora é que estão mesmo a gozar". Lamento se a minha cara vos enganou, mas eu cá não sou pessoa de comprar o que não existe, muito menos de ficar com dinheiro empatado em talão. Uma pessoa queria poupar dinheiro e ainda corria o risco de ficar a arder! Há lá com cada incompetente uma!

#5 Mês da Prematuridade

- A dor. O medo -

Deixei para último o que marcou-me mais durante o internamento do meu filho: o vir para casa sem ele. Não há dor maior que deixar um filho internado, ficar longe dele sem saber se passará bem a noite, ter tudo montado à sua espera e ele não poder vir e nem saber quando virá. 
A experiência da prematuridade mexe muito com o estado emocional de uma pessoa. Falo por mim. Nos dias em que ele andou com diarreia eu já andava a bater com a cabeça nas paredes só de pensar que poderia ser novamente internado. É ter o coração nas mãos sobre o seu crescimento, se crescerá bem como um bebé de termo. É sofrer em silêncio porque mais ninguém parece entender os teus medos. É não deixar-me de sentir culpada pela sua prematuridade mesmo sabendo que a culpa não foi minha. Alias, ninguém sabe-me dizer o porquê! Não ter respostas custa. É ter medo que isso volte acontecer numa futura gravidez. É querer não pensar muito nesses momentos e não conseguir. Já sei o que é sair literalmente de mãos a abanar numa situação. E senti pela primeira vez aquela sensação de vazio sempre que saía daquela Maternidade.
Eu não falo sobre isto, não quero preocupar quem se preocupa comigo, nem me deixei ir abaixo à frente de quem amo, mas precisava de exteriorizar tudo aquilo que tenho guardado cá dentro. (Mas para quem me conhece bem, talvez o facto de não me deixar ir abaixo à frente de ninguém seja motivo de grande preocupação!)

26/11/2015

Grande!

Este cabelo está a precisar de um belo corte. Algo simples, de fácil manutenção. Tamanho médio, a direito. Já estou farta destes fios longos, quase sempre apanhado para aquelas mãos pequenitas não agarrar! Não irei fazer madeixas - apesar de apetecer muito -, ele anda a cair aos molhos, anda muito fininho, não quero piorar as coisas. Deixo isso lá para a Primavera, se estiver mais forte. Este cabelo já não vê uma tesoura há quase um ano e preciso de fortalece-lo. Sou pessoa de cabelos compridos desde que estejam bem tratados, coisa que já não acontece com o meu. Vou pedir para me cortarem um palmo para sair de lá com dois ou três a menos!

O pequeno também cresce a olhos vistos. A primeira vez que o coloquei no marsúpio nem se via ele lá dentro! Agora sim, já a cabecinha saí fora, já consegue ir vendo o caminho apesar dele ir sempre a dormir durante todo o passeio. Passear deixa-o super relaxado, dorme a tarde toda com o cú tremido. Para curtas distâncias e durante poucas horas, dá-me mais jeito ir com ele atracado a mim. A minha mãe e a minha avó dizem que não gostam muito desta "coisa", e eu calculo o porquê! Assim não me podem roubar o carrinho, ser elas a passeá-lo, nem conseguem deitar as mãos ao pequenote! :)

24/11/2015

Gosto de acreditar *

"Gosto de acreditar que a vida não acontece por acaso. Que não vivemos apenas de forma aleatória. Que as coisas que nos acontecem — sem serem opção claramente nossa — não acontecem só porque sim.
Gosto de acreditar que não sofremos à toa. Que os percursos são difíceis para darmos mais valor às coisas. Para apreciarmos, com mais consciência, a vitória. Que as gargalhadas ensinam-nos a saborear o que é simples. Mas que o sofrimento também tem algo para nos ensinar. Que a vida só nos mete em labirintos dos quais sabe que conseguimos, um dia destes, sair. Que sentirmo-nos felizes é uma recompensa pela forma verdadeira como vivemos. Que só nos sentimos tristes quando não estamos no caminho certo. Quando é preciso mudar. Quando é preciso aprender. Gosto de acreditar que a dor só vem do tamanho que vem porque somos capazes de a suportar. Porque somos suficientemente fortes. Porque temos força para aguentar tudo, se for tudo o que vier. Que o instinto da sobrevivência amplifica a nossa coragem e resistência. Que nos torna impermeáveis a tudo. Até ao que achamos que não.
Gosto de acreditar que não nos cruzamos, uns com os outros, para entreter o tempo. Que a amizade é uma viagem. Que o amor nunca é em vão. Que é sempre necessário e inevitável — mesmo quando dói. Que os sentimentos são o que são porque não podiam ser outros. Porque nenhum outro nos mostraria mais um bocadinho da vida como ela realmente é.
Gosto de acreditar que as minhas escolhas têm uma finalidade que vai além da meramente circunstancial. Que só me acontece aquilo que me pode levar a ser uma pessoa melhor — mesmo que, nesse percurso, bata no fundo. Que a dor e a desilusão têm tamanhos proporcionais ao meu bom carácter. Que, quando chegar o momento certo, a dor passa. E que a alegria de viver é a única coisa que quero, realmente, reter de toda esta vida que levo e à qual, tão genuinamente, me entrego.
[Gosto. Mas nem sempre acredito.]"
*Texto: Apeteces-me, de Laura Almeida Azevedo

23/11/2015

Padaria Portuguesa

Sempre que vamos à Capital para as consultas de prematuridade temos de parar na Padaria Portuguesa. Peço sempre o mesmo, um Pão de Deus. Adoro. Assim, simples. São os melhores que já comi, muito tenrinhos. Tenho pena (ou a sorte! - seria a desgraça total) de não ter uma ao pé de casa.

20/11/2015

Adeus, Verão de São Martinho. Olá, Inverno!

Aproveitamos o tempinho bom que se fez sentir a semana passada para passeios, caminhadas, e dizer adeus às roupas mais leves e frescas. Custa começar a guardar tanta roupa fofa, sabendo que nunca mais vai vestir! Mas é bom sinal. É sinal que está a crescer bem.
Esta semana o sol continua a dar o ar da sua graça mas o frio já deu as boas-vindas, já comecei a vestir os casacos de Inverno. A selecção de roupa, o que fica e o que vai, já está em andamento.




Esta semana tivemos que sair porque ele tinha consultas, mas a vontade era de ficar fechada em casa com o aquecimento ligado. Segunda-feira foi dia de picas. Levou uma vacina do PNV e duas fora, recomendadas pela pediatra. Apesar dele ficar em casa comigo, decidimos dar a Rotavirus. Não irá brevemente para a creche mas estará em contacto com bebés que frequentam, e mesmo sendo algo que não previna uma gastroenterite, ao menos que atenue os seus efeitos. Que evite um internamento! Levou também a Bexsero. Andei a ler os testemunhos de outras mães sobre as reacções dos bebés a esta vacina e fiquei com medo! Mas como disse a enfermeira, ele portou-se muito bem. Não chorou muito, não fez febre, nem ficou com a perna muito dorida.
Quarta-feira fomos repetir o teste auditivo. Um ouvido tinha chumbado no primeiro exame, talvez por ter andado fanhoso, não sei, mas desta vez já passou. Está tudo bem. 
Para além das consultas de rotina no centro de saúde, normais para qualquer bebé, das consultas de pediatria (opção de muitos pais, nossa também), temos ainda consultas regulares de prematuridade no Hospital onde ele nasceu. Já temos "compromissos" para 2016! Ser mãe de um prematuro é passar a vida enfiada em médicos.

Noites

Não me posso queixar das noites. Já faz um tempo que ele andava a dormir 6h seguidas e ainda só tem três mesitos! Acho que é uma boa média. Não sei. Quando ele tinha um mês, houve uma semana ou outra que acordava às 4h e já não queria dormir mais. Felizmente, foi sol de pouca dura. Por isso, já me dava por satisfeita em acordar "apenas" às 6h da matina. Hoje acordei com o despertador, às 8.30h. Assustei-me. Como é que ele ainda não acordou? Debrucei-me à pressa sobre a alcofa, lá estava ele a espreguiçar-se lentamente. Deu-nos Fez uma boa noite de soninho. Era tão bom que vira-se rotina!

17/11/2015

“Como as ‘Mães Prematuras’ são Escolhidas”

“Você já se perguntou como as mães de bebês prematuros são escolhidas?
De alguma forma eu visualizo Deus pairando sobre a Terra, selecionando seus instrumentos de propagação, com grande cuidado e deliberação. Assim como Ele observa, Ele instrui um de seus anjos para fazer anotações em um grande livro.
“Armstrong, Beth … dê a essa mulher um filho. Rutledge, Carrie, dê a essa outra gêmeos”. Finalmente Ele passa um nome para o anjo e diz: “Dê-lhe um prematuro”. O anjo fica curioso. “Por que esta, Deus? Ela é tão feliz”. “Exatamente”, sorri Deus. “Como eu poderia dar um prematuro a uma mãe que não conhece o riso? Isso seria cruel”.
“Mas ela tem a paciência?”, pergunta o anjo. Deus responde: “Eu não quero que ela tenha paciência demais ou ela vai se afogar num mar de auto-piedade e desespero. Quando o choque e o ressentimento passarem, ela vai lidar com isso muito bem”.
“Eu a vi hoje. Ela tem aquele sentimento de independência tão necessário para uma mãe. Veja, a criança que vou lhe dar terá seu próprio mundo. Ela vai ter que fazê-lo viver no dela, e isso não vai ser fácil”.
“Mas Senhor, eu não tenho certeza de que ela realmente acredita em você.” Deus sorri “Não importa. Eu posso consertar isso. Esta é perfeita! Ela possui o egoísmo exato”.
O anjo engasga-se… “Egoísmo? Isto é uma virtude?”. Deus balança a cabeça, “Se ela não conseguir se separar da criança de vez em quando, ela nunca vai sobreviver. Sim, aqui está a mulher a quem eu vou abençoar com uma criança que é menos do que perfeita. Ela não percebe isso ainda, mas ela será invejada. Ela nunca irá admitir que um único dia seja um dia qualquer. Ela nunca irá considerar um passo de sua vida um simples passo. Quando sua criança disser “mamãe” pela primeira vez, ela estará presenciando um milagre, e saberá disso.”
“Ela nunca vai estar sozinha. Eu estarei ao seu lado a cada minuto de cada dia de sua vida, porque ela estará fazendo meu trabalho, tão certo como o fato de que ela também está aqui do meu lado. ”
“E o Santo padroeiro desta mulher, Senhor, quem será?”, pergunta o anjo. Deus sorri, “Um espelho para ela será o suficiente”…
Livre tradução e adaptação de “How Preemie Moms are Chosen”, autor desconhecido.


[Um abraço muito apertado a todas as famílias prematuras e um beijinho especial a todos os pequenos grandes guerreiros, hoje (e sempre) é o vosso dia! 17 Novembro, Dia Mundial da Prematuridade]

16/11/2015

#4 Mês da Prematuridade

- O internamento - 

O único aspecto positivo nesta fase de internamento - para além da sua recuperação, como é óbvio! - foi sentir-me mais confiante no papel de mãe. Como diziam as enfermeiras, temos que encarar esse período como uma pequena escola de preparação. Eu nunca tive muita lidação com crianças, nunca havia mudado uma fralda, nem dado banho, e tinha medo de pega-las ao colo por serem seres tão frágeis, quanto mais! Ter profissionais à minha volta ajudou-me a descomplicar situações que temia: deixar escorregar o bebé no banho, machuca-lo ao mudar de roupa ... Uma série de tragédias que passavam pela minha cabeça. E saber que ele dormia num berço que detectava a apneia do sono (outro grande medo) deixava-me mais tranquila. Mas o tempo nestes casos não funciona a nosso favor. Quanto mais tempo passa, mais desesperadas ficamos em tira-los dali. Chega um ponto que ficamos saturadas de pedir permissão para tratar dos nossos próprios filhos. 
Felizmente, a "nossa" Maternidade permitia que os pais visitassem os seus filhos sempre que quisessem, a qualquer hora. Pelo que tenho lido, algumas impõem horários de visitas aos pais! Mas quem define estas regras tem que entender uma coisa: pais não são visitas! Os pais deveriam ficar junto dos filhos mesmo quando estão internados. Eu só tive direito a passar uma noite extra na Maternidade porque pedi e porque estava deslocada da minha área de residência. Uma noite extra! quando existe posters espalhados a dizer que não se separa um filho de uma mãe, para fomentar o aleitamento materno, blábláblá. Este país tem boas teorias mas na prática ...
Pouco tempo depois da alta do meu filho, a Maternidade onde ele nasceu adquiriu novas tecnologias que permite aos pais acompanhar os seus filhos via web (notícia aqui). É uma ajuda para acalmar os pais, mas não é a mesma coisa.

12/11/2015

#3 Mês da Prematuridade

- As roupas - 


Sempre aconselharam-me a não comprar muita roupa pequena porque "não sabes se ele nasce grande, vai na volta nem chega a vestir o tamanho zero" ou "é um desperdício de dinheiro, eles crescem tão rápido". Pois ...
Ter um bebé prematuro é ficar com o enxoval todo baralhado. É ter roupa mais quentinha porque deveria nascer no Outono e precisar de roupa XXS mais fresca porque acabou por nascer no Verão. Durante o internamento do bebé eles usam as roupas de lá, mas quando ele teve alta, passados 20 dias, nós levamos o conjunto mais pequeno que tínhamos e mesmo assim ficou a 'nadar'. Não gosto de ver bebés "perdidos" no meio da roupa, por isso comprei uns conjuntinhos tamanho 00 para ficar mais confortável.
Em relação às fraldas, andei a fazer um pequeno stock ainda na gravidez para aproveitar as promoções mas precisei de comprar fraldas na farmácia, o único sítio onde achei o tamanho 0. E mesmo assim precisava de fazer uma dobra para a fralda não ir até ao pescoço!

10/11/2015

Romãs


Ontem comi as primeiras deste Outono. As romãzeiras estavam carregadas, alguém deu-se ao trabalho de descascá-las e eu de comê-las! Digam lá se não é um excelente trabalho de equipa? 

06/11/2015

#2 Mês da Prematuridade

- Amamentação - 

Amamentar um bebé prematuro é um verdadeiro desafio. Como já disse, um prematuro antes das 34 semanas ainda não tem força de sucção e deglutição, ele bebe o leite por uma sonda. Estranhamente, o meu começou a chuchar na chucha no dia seguinte. E se chuchava bem! As enfermeiras estavam todas animadas porque não era muito comum - até me perguntaram se havia possibilidades dos médicos se terem enganado nas contas, ele dava ideia de ser um bebé mais velho tal era a força que ele tinha a chuchar - e eu toda irritada por lhe terem enfiado uma chucha. Já não bastava ele não poder ir à mama nesse período, de dificultar a minha produção de leite, ainda lhe enfiaram com a chucha para atrapalhar, futuramente, a pega na mama. Enfim. Um dia depois do parto ele começou a intercalar o leite entre sondas e biberões. Foi bom sinal. O problema é que ele se cansava depressa ao beber por biberão. Às vezes começava a beber por lá e terminava com a sonda para não perder peso, coisa que não convém num bebé prematuro.
Durante este período tive que tirar o leite por uma bomba para não secar. Dizem que é conveniente tirar de 3h em 3h para manter a produção de leite. Dizem ainda que devemos descansar, andar calmas e comer bem para ajudar. Pois, pois ... Como querem isso tudo quando temos alta e vamos para casa sem eles? Ainda por cima perdia imenso tempo entre viagens para o Hospital porque não era na minha área de residência. Não consegui descansar, como é óbvio, muito menos andar calma. Nunca tive essa disciplina de tirar leite de 3h em 3h porque ou era isso ou estar com ele. É óbvio que preferia ir ter com ele. Lá tinha a possibilidade de tirar leite mas era numa sala à parte, estava lá e estava a contar o tempo para ir ter com ele, o que não ajudava.
Basicamente a minha produção de leite era quase inexistente. Tirava algum e era dado pela sonda. O único incentivo que tive na maternidade foi o de colocarem o bebé à mama mas a beber pela sonda para ele começar a associar o leite à maminha e para ver se ajudava na libertação de ocitocina para aumentar a produção do leite. De resto, não tive mais nenhum incentivo e supostamente era uma maternidade amiga do bebé, que apoiava o aleitamento materno. No dia em que ele nasceu, só me diziam para descansar (pois, sim), para não me preocupar em ir tirar leite. Nesse dia não tirei, senti que já tinham desistido de mim, que por ele ser prematuro já calculavam que seria mais um caso de fracasso. Também nunca ninguém me disse que o melhor seria comprar bicos de silicone porque tinha eles pequenos. Só quando ele teve alta é que experimentei e comecei a insistir para que ele mamasse. Comprei uma bomba eléctrica mais silenciosa (a outra era emprestada e era um autêntico tractor a trabalhar!) e comecei a ser mais disciplinada. Resultou. Comecei a ter mais leite mesmo que o bebé só tenha começado a mamar 20 dias depois do seu nascimento. Eles é que são as verdadeiras bombinhas, só assim uma pessoa consegue aumentar a produção do leite. Mas como ele só começou a mamar quando veio para casa, a minha produção não acompanhou o aumento dele. Quando começo a ter mais leite, ele já está a aumentar, tenho que dar à mesma o suplemento. E dou por insegurança minha, tenho medo que ele perca peso e volte a ser internado. Se tivesse sido mais confiante talvez tivesse conseguido amamenta-lo em exclusivo, mas tive medo ...

04/11/2015

Está quase aí ...


A época mais bonita do ano está quase aí! Este ano será ainda mais especial. Um Natal com crianças tem sempre mais magia. Mal posso esperar para decorar esta casa, enche-la de luzes para ele ficar entretido a olhar (ele adora candeeiros e bonecos com luzes!). 
Dizia eu que não o iria encher de prendas porque eles nestas idades nem ligam e nem quero que associe esta época a um dia de mero consumismo, mas uma pessoa depois quer dar este mundo e o outro e perde a cabeça com coisas tão giras para eles. Já perdi um pouco a cabeça com a promoção de 75% em brinquedos, mas como comprei com antecedência o meu marido diz que isto não são prendas de Natal e já me perguntou o que iremos dar! Acho que ele é pior do que eu.
Afinal o assunto «prendas» para o pequeno ainda não está arrumado mas quanto ao resto do pessoal já estão mais do que pensadas. É rara a vez que me decido com antecedência.

[Imagem 1]

03/11/2015

#1 - Mês da Prematuridade


- Resumo -

Podemos planear uma gravidez. Podemos preparar o enxoval para a sua chegada. Podemos idealizar o dia do parto e um futuro a três. Podemos. Mas ninguém prevê e prepara-se para a chegada antecipada de um filho. Nós não. Com uma gravidez feliz e bem vigiada, nunca imaginei que esse momento de felicidade rapidamente se transformasse na situação mais stressante das nossas vidas. Não estava preparada para o que vinha aí, nem estava minimamente informada sobre os riscos da prematuridade.
O que eu sabia sobre isso? Sabia que eram bebés que nasciam antes do tempo, mais pequenos e que passavam algum tempo numa incubadora. Fim. Se o meu internamento já indicava que as coisas poderiam estar melhores para o meu lado, ter de levar quatro injecções para a aceleração da maturação pulmonar do bebé só indicava que a situação poderia ser muito frágil e que, provavelmente, existiriam outras complicações que eu desconhecia.
Fiquei internada no Hospital da minha área de residência que não tinha condições para acolher prematuros, quando entrei em trabalho de parto fui transferida para outro sítio sob o risco de ficar separada do meu filho e poder ocorrer o pior com a falta de meios para o assistir nos primeiros minutos de vida. Como o bebé precisa de ser logo assistido, o parto, mesmo que normal, decorre na sala de operações e o pai não pode assistir. Choque! Também foi um choque saber que não poderia dar de mamar porque os bebés antes das 34 semanas não têm capacidade de sucção e deglutição. Por isso, os bebés não têm alta antes dessa meta porque são alimentados por sonda. E custa vê-los cheios de fios, monitorizados, dentro da incubadora, mesmo que seja apenas por precaução.
Apesar do internamento, eu passei os últimos dias de gravidez relativamente calma. Talvez pela minha ignorância sobre as possíveis complicações, talvez sobre o pressentimento que estava tudo bem com ele. Mas ainda bem que não pensei no pior porque ajudou-me na hora do parto. Era algo que temia e foi o que correu melhor no meio disto tudo! E confirmou-se, estava tudo bem com ele. Enquanto acabavam o ponto de cruz lá em baixo, o meu sentido estava na sala ao lado onde ele estava a ser assistido e só ouvia que ele estava muito bem para um prematuro de 32 semanas. E como estava tudo ok, levaram-no para o pé de mim para lhe dar um beijinho antes de partir para os Cuidados Intermédios onde esteve apenas 4 dias numa incubadora a fazer fototerapia (problema normal mesmo nos bebés de termo) e passou logo para o berçário onde permaneceu mais 16 dias para aprender a comer por ele mesmo. Esteve internado 20 dias.
Vivo muito mais stressada agora, mesmo que tudo tenha corrido bem, que na altura. Agora tenho a consciência de tudo aquilo que poderia ter corrido mal. Agora vejo casos bem complicados e choro. Choro por aqueles pais. Sei o que é viver na incerteza se tudo terminará bem, com a dor da distância. Só de recordar dói. E choro pela sorte que nós tivemos. Abraço-o e agradeço que tudo tenha corrido bem.

Vamos falar sobre prematuridade?


Este mês, vários países (Empire State Building - NY; Brandenburg Gate - Berlim; Niagara Falls - Canadá; Florença - Itália; Cristo Rei - Portugal; etc) vão se iluminar de roxo como forma de sensibilização para questões sobre a prematuridade. Estima-se que 1 em cada 10 bebés nasce prematuro. Em todo o mundo.


Durante estes dias irei relatar a minha experiência enquanto mãe de um bebé prematuro. Acho que é uma necessidade de quem passa por isso. Precisamos de desabafar, de partilhar toda esta experiência que nos marca para sempre! É algo que ninguém espera nem sabe com o que pode contar. É ter de lidar com a imprevisibilidade da vida. É um misto de sentimentos. Lidamos com o medo e a angústia da condição «prematuro» dos nossos filhos, tal como a alegria e a felicidade de tê-los ao nosso lado e vê-los vencer uma nova etapa.
Para quem tiver curiosidade, tenha passado por isso ou queria estar informado para o que poderá acontecer em caso de parto prematuro - eu não estava minimamente consciente sobre estas questões! - poderá consultar as seguintes associações que eu sigo via Facebook:

XXS - Associação Portuguesa de Apoio ao Bebé Prematuro
Prematuridade. com
Peek-a-boo ICU

[Imagem 1]